Sobre a situação no Rio. A grande discussão.

Publicado: 26 de novembro de 2010 em Geral

Via: Texto Secreto

Autor: Robinson Pereira*
Editor: Catupiry
Imagem: G1

Os eventos recentes no Rio de Janeiro vão, provavelmente, levantar muita discussão. Um dos motivos é óbvio: a questão dos direitos humanos. Depois que o ímpeto dos soldados do tráfico diminuir, quando eles perceberem que perderam a “parada”, vão levantar as mãos, jogar as armas no chão e posarão de vítimas. Os policiais, ainda sob o forte efeito do estresse do combate, vão descer a lenha. Ativistas dos direitos humanos vão lascar a ripa em cima dos policiais e perderemos a chance de dar um forte baque no crime organizado.

É bom imaginar que o estresse de combate é algo inevitável. Não há treinamento que impeça um combatente de sentir medo de morrer, que não deixe uma pessoa furiosa com outra que está disparando um pente de 40 balas em sua direção. Depois de passar minutos, horas, dias sem saber o que vai acontecer no próximo minuto, qualquer combatente fica muito p… da vida com os caras que estão do outro lado.

Foi preciso que duas obras de ficção conseguissem emocionar o país para que hoje comece a se tornar senso comum que o consumidor de drogas é o responsável por colocar um AR 15 na mão de bandido. O bom senso e a lógica nunca funcionaram tão bem quanto a exibição de dois filmes policiais. A verdade é que o ser humano assimila melhor informações quando está emocionado. Os gregos sabiam disso desde a Antiguidade e os professores de cursinhos também.

Uma outra lição precisa ser dada agora: o crime organizado não é nada sem soldados. Os “capos” precisam da bucha de canhão nos favelas, e os soldados – que são as tais buchas de canhão –somente vão desistir de suas funções quando perceberem que o risco não vale a pena.

E como se faz isso?

De duas formas: enviando ativistas de Direitos Humanos hoje para o front no Rio de janeiro para convencer os caras na conversa;

Ou usando nossos forças policiais e militares para mostrar que as nossas cidades não são casa da mãe Joana.

Os soldados do crime organizado precisam ficar apavorados, precisam ter certeza de que não vão voltar para casa, precisam saber que vale realmente a pena desistir de seus planos de grandeza à custa do terror da sociedade. Por um bom motivo: continuarem, vivos.

Precisamos dessa etapa no combate ao crime. Não vamos chegar aos “generais” do crime organizado enquanto houver soldados no meio do caminho. Simplesmente não existirá essa mágica. E por que não?

Pela mesma lógica que diz que o usuário de drogas coloca o RPG7 na mão de bandido. Enquanto houver condições de ser soldado do tráfico, ganhando cinco mil por semana, o cara vai ser.

Isso é crueldade? É sim.

Mas não tem outro jeito. Enquanto houver um ativista achando que entende mais de estresse de combate do que um homem do Bope, vamos ter uma discordância acerca do que é certo e o que é errado, simplesmente porque vai ter gente falando bobagens acerca do que não entende. E isso se chama hipocrisia. O tipo de coisa que duas obras de ficção estão fazendo o País entender, mais do que qualquer discurso racional.

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*ROBINSON PEREIRA Mestre em Literatura pela UFSC, Robinson Pereira pesquisou exatamente a possibilidade do gênero de espionagem dentro da literatura brasileira. É autor dos romances “Diário de um Intelectual à Deriva”; “Souvenir Iraquiano”; e “Fronteira”. Publicou também o conto “O Doutor”, na revista Playboy de agosto/2006. Atua como assessor de comunicação em Brasília. Atualmente trabalha na finalização do romance “Neutralidade”.

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