ricardoborges.com – Inflação, núcleo inflacionário, juros e BACE N

Publicado: 8 de dezembro de 2010 em Money

—–Mensagem Original—–
From: relatorio@projecao.com
Sent: Tuesday, December 07, 2010 7:04 PM
Subject: ricardoborges.com – Inflação, núcleo inflacionário, juros e BACEN

Oi Amigo(a),

Acredito que me expressei mal e por este motivo recebi alguns email´s de
pessoas que não compreenderam o que quis dizer sobre retirar a alta dos
alimentos da inflação.

Vou explicar mais detalhadamente.

Os bancos centrais de países responsáveis, não utilizam os índices de
inflação simples para definir sua política monetária e sim o NÚCLEO destes.
O que quer dizer isto?

O importante para manter o valor da moeda é impedir que haja uma inflação
generalizada na economia e não que se tente impedir a alta de um determinado
produto.  O que quer dizer isto?

O BACEN de qualquer país não deseja que a moeda perca o seu poder de compra
geral (todos produtos) e não específico (um produto) e esta é a função da
instituição. Quando a alta de preços é resultado de um aumento generalizado
na DEMANDA, há a necessidade de freia-la e assim se adota uma política
contracionista (aumento de juros, compulsório, taxa de redesconto,
restrições da financiamento, etc).

Mas, se a inflação está sendo causada pelo incremento nos preços de um
determinado produto (CHOQUE DE OFERTA) e este NÃO está contaminando e não a
perspectiva de contaminar o restante dos preços, o BACEN descarta esta alta
da inflação e assim calcula-se o NÚCLEO inflacionário para verificar como
está se comportando realmente os preços da economia.

Vamos aos cálculos SIMPLISTAS e HIPOTÉTICOS.

No país X o povo tem mania de comer carne de boi (Item A) e por este motivo
o peso deste produto no índice inflacionário é de 40%. O restante dos gastos
da família tem um peso de 60% (item B).

O preço da carne na virada do período era de R$ 8,75 e agora é comprada a R$
28,75, tendo uma alta de 228,57%. O restante dos produtos tiveram em sua
média ponderada uma inflação de 1% no período.

Hipoteticamente após uma alta de 10% no início do período o povo deste país
passou a comer carne de frango, ovos e peixe e não comem mais carne a meses,
mas o instituto que calcula o citado índice ainda não atualizou o perfil da
mudança de consumo da população deste país.

Voltemos ao cálculo.

A inflação no período foi de 92,03% (40% X 228,57% + 60%* X 1%).

Um banco central que leva em consideração o NÚCLEO da inflação, descartaria
a alta da carne para adotar sua política monetária, pois esta alta foi
causada por um choque de oferta (Uma doença matou 80% do rebanho de boi do
mundo) e nada do que ele possa fazer irá derrubar o preço da carne.

Um banco central que adota a inflação pura, como o caso brasileiro, irá
ficar desesperado com a alta repentina da inflação e adotará uma política
monetária restritiva ao extremo (aumento dos juros, do compulsório, da taxa
de redesconto, restrições ao consumo, etc) e o que ocorrerá?

Primeiro quero frisar que o povo deste país hipotético NÃO COME MAIS CARNE,
logo ela deveria sair do calculo da inflação, mas eles vão sofrer as
conseqüências das ações do BACEN mesmo SEM QUE a alta da carne influencie o
seu poder de compra.

Ao aumentar os juros em 100%, aumentar o recolhimento do compulsório de 1%
para 80% (digamos que os bancos sobreviveram) e proibir vendas a prazo, o
povo passou a consumir apenas o essencial que é comida e aluguel. Se o peso
da comida é elevado neste índice inflacionário, ao invés de comprar um carro
e comer menos, esta população vai comer mais (incremento na demanda por
alimentos) e com isto o preço dos alimentos, em um primeiro momento, irá
subir provocando uma elevação na inflação.

Entretanto, em um segundo momento as empresas que não conseguem mais vender
nada (como a de carros) começam a demitir e depois de algum tempo a
população, já sem emprego, diminuem o consumo de comida e assim a inflação
cairá.

Conclusão: Só porque a carne subiu, o BACEN adotou uma política monetária
restritiva e conseqüentemente as empresas quebraram e as pessoas perderam o
seu emprego. Aquelas que nem sequer estavam mais consumindo carne.

Quando ler os jornais ou assistir os jornalistas na televisão CUIDADO, pois
a opinião passada nos meios de comunicação é geralmente influenciada pelos
BANCOS e eles lucram quando os JUROS sobem. Para “influenciar” a decisão do
BACEN, eles vão soltar diversos argumentos que para um leigo parecem
lógicos, mas que na realidade somente atendem aos seus interesses em
detrimento dos interesses da sociedade (empresas, governo, empregados e
consumidores).

A política monetária deveria ser conduzida baseada no NÚCLEO inflacionário
como é nos países desenvolvidos, ou seja, se há risco da inflação se
espalhar por todos os preços. Por este motivo é importante verificar a
capacidade produtiva da indústria nacional, ou seja, há a possibilidade de
se produzir para vender sem aumentar os preços?

Se observarmos estes fatores veremos que a inflação deste ano foi provocada
pelo aumento nos preços das passagens de ônibus (governo de São Paulo) no
início do ano, dos hortifruti também no início do ano devido a chuva em
abundância, do minério de ferro em março e agora o problema é nos preços do
combustível (álcool), das roupas (algodão) em menor escala, da carne
(picanha subiu de R$ 8,75 no início do ano para +- R$ 29,00 agora) e de
outras commodities agrícolas.

O aumento do preço como podemos observar não é devido ao incremento da
demanda interna e sim devido ao aumento da demanda EXTERNA e os juros no
Brasil NÃO IRÃO INFLUENCIAR EM NADA A DEMANDA EXTERNA das commodities.
Portanto estes preços vão continuar subindo e gerando inflação no Brasil,
com ou sem juros mais autos.

Podemos reduzir um pouco este inflação quebrando as indústrias nacionais
para que elas demitam as pessoas e assim a redução do preço do carro,
televisão, etc  irá compensar parcialmente o incremento dos preços da carne
e a inflação será uma pequena fração mais baixa.  Será que o brasileiro não
está comendo mais frango, ovo e peixe?

Cuidado com o relatório Focus, ele é feito apenas com a opinião de bancos e
JAMAIS será imparcial.

Cuidado com o BACEN, é possível que ele possa em alguns períodos estar
defendendo os interesses de uma minoria em detrimento da nação. Isto já
ocorreu diversas vezes no mundo e poderá vir acontecer de novo, inclusive no
Brasil.

Um abração, Feliz Natal e próspero ano novo,

Ricardo Borges 🙂
http://www.projecao.com.br/

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