Enfurnados – D. João de Orleans e Bragança – Crise política de Furnas

Publicado: 20 de fevereiro de 2011 em Geral

Enfurnados – D. João de Orleans e Bragança

"Enfurnado" significa:
1 – encafuado: feras enfurnadas.
2 – oculto, guardado: fortuna enfurnada. (No dicionário).

Furna:
1 – antro, subterrâneo, caverna, lugar apertado entre vales. (No dicionário).

"Furnas": grande empresa estatal que produz 60% da energia brasileira. É o objeto de briga entre alguns deputados e senadores para botar na mão (e no bolso) aquilo que pertence aos cidadãos brasileiros.

Disputam diretorias das estatais, autarquias e bancos públicos que lhes possam trazer benefícios pessoais na maioria das vezes por métodos ilegais (isso não está no dicionário.)

"Contribuiria muito para o país" (detalhar as reuniões e conversas privadas que tiveram ) – diz em mensagem pública o deputado Eduardo Cunha (PMDB) dirigindo-se ao deputado Garotinho (PR), pela internet.

É obrigação destes dois senhores e respectivos partidos detalharem com transparência o que "contribuiria muito para o país". E por que não o fizeram antes?

Devem ser expulsos dos partidos todos aqueles que não "contribuíram para o país", e só tornam públicas suas desavenças e negociatas quando seus feudos estão sendo ameaçados.

Conversas cifradas são típicas de mafiosos. Os partidos políticos, ao contrário, existem para servir ao país e à democracia.

Outra mensagem, do deputado Garotinho para o deputado Cunha: "Toma cuidado Eduardo porque além de a casa (Cehab/Rio) cair você também pode entrar pelo cano (Cedae/Rio)". Complementa sugerindo ao deputado Cunha fazer uma boa Prece (Fundo de Pensão da Cedae) – "pois seus pecados são grandes".

Eles estão se acusando, por negócios obscuros, em público, ao vivo pela internet!Cabe, então, a pergunta: será que seus respectivos partidos (PMDB e PR) se mantêm calados porque concordam e utilizam as mesmas práticas? O que falta para agir?

"Embora sabendo que o deputado (Cunha) gosta muito de laranja, recomendo que tome suco de maracujá e sobrevoe o patrimônio que construiu praticando… asa DELTA"- diz o deputado Garotinho, em outra mensagem, referindo-se à empreiteira Delta.

Empreiteiras são frequentes doadoras nas campanhas eleitorais daqueles que irão definir orçamentos, obras, licitações e concorrências em que estas mesmas empresas serão contempladas. Não acredito que fazem por patriotismo e espírito público na sua maioria. Algumas fazem por interesse em seus negócios!

O jornalista Jânio de Freitas, em 1987, publicou anúncio em código nos classificados da "Folha de S.Paulo" cinco dias antes da divulgação dos ganhadores da concorrência da Ferrovia Norte-Sul (Maranhão-Brasília).

As maiores empreiteiras na época (ainda hoje entre nós) tinham "acertado" a divisão dos 18 trechos da obra, antes mesmo do resultado oficial. O jornalista publicou as iniciais de cada empreiteira com o número do lote. E acertou! O presidente era José Sarney, o ministro dos Transportes era José Reinaldo Tavares e as mesmas empreiteiras participaram e ganharam uma nova concorrência. O histórico de negócios obscuros de empreiteiras não é recente.

Este é o nosso "presidencialismo de coalizão". Nome técnico que se dá ao sistema que faz com que, eleição ganha, quem apoiou tem seu quinhão no governo para ocupar com "apadrinhados" os cargos nos quais o

Brasil precisa de técnicos competentes. A vergonhosa, aberta e impune disputa por cargos em Furnas (que se repete em todo o setor público) mostra o incorreto, o ilegal, o enriquecimento ilícito, a falta total de comprometimento com o bem público, a participação na vida política para transações, o escárnio. Vemos empresas compradas por R$7 milhões e revendidas em seguida para a estatal por R$80 milhões. Vemos doleiros em balcões de "negócios" públicos.

Afastaríamos os senhores interesseiros da vida pública a partir do momento que os cargos de nomeação política (o que é normal) a cada novo governo fossem reduzidos a um número mínimo – como na Inglaterra, onde são aproximadamente 300. O resto é para funcionários de carreira. No Brasil chegou-se a 20.000 nos últimos oito anos. Precisamos de mais meritocracia e menos cleptocracia!

Assim, a vida pública atrairia mais idealistas e cidadãos competentes e, cada vez menos, mercadores da política.

D. JOÃO DE ORLEANS E BRAGANÇA é fotógrafo

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