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​”Eu curtia ir ao cinema e assistir antes do filme principal as incríveis imagens do “esporte bretão” produzidas pelo lendário Canal 100, que pela primeira vez mostrou o futebol como uma forma de arte. (a música da trilha sonora é demais)​”.

Alguns filmes históricos :

​Para saber mais:

http://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,livro-reune-as-melhores-historias-do-canal-100,1525131

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Só Vampeta pode nos salvar

Publicado: 9 de janeiro de 2012 em Opinião
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09/01/2012

Só Vampeta pode nos salvar

Dia 21 de dezembro, o Ajax recebia o AZ Alkmaar pela Copa da Holanda. O Ajax vencia por 1 a 0 quando um de seus torcedores invadiu o campo e começou uma briga com o goleiro do AZ.

O goleiro agrediu o torcedor e foi expulso pelo juiz. O técnico do AZ, revoltado, tirou o time de campo, e o juiz encerrou a partida.

A reação das autoridades foi rápida: o torcedor foi condenado a seis meses de prisão e pegou um gancho de 30 anos – repito, 30 anos – sem entrar em estádios de futebol. O Ajax foi multado em 10 mil euros e o jogo foi remarcado, com portões fechados e o placar zerado. Tudo isso levou seis dias para ser decidido e aplicado.

Na mesma semana, a prefeitura do Rio de Janeiro anunciou que pretende proibir a venda de cerveja nas imediações do Engenhão para combater as brigas de torcidas.

Fica a pergunta: qual a diferença entre a atitude dos dirigentes holandeses e a dos cariocas?

Simples: os holandeses querem resolver o problema e agem de forma rápida e eficiente . Já os cariocas querem empurrar o problema com a barriga e violam a liberdade individual do cidadão apelando às manobras mais fascistas e preguiçosas, numa tentativa patética de encobrir a sua própria incompetência para lidar com o problema.

O futebol, nos dois casos, é um exemplo de como diferentes países lidam com suas questões.

É bom lembrar que já tivemos grandes filósofos futebolistas: nos anos 70, o craque Gerson celebrizou – em um anúncio de cigarro do qual viria a se arrepender depois – a frase “Você tem que levar vantagem em tudo, certo?”

Anos depois, outro filósofo das quatro linhas, Vampeta, soltou uma pérola que resume perfeitamente nosso Brasilzão. Comentando sua apagada passagem pelo Flamengo, Vampeta disse: “Eles fingiam que me pagavam e eu fingia que jogava”.

Em uma frase, o gênio sintetizou o país do faz de conta, onde quem manda finge resolver os problemas e a gente finge que acredita.

A Lei de Vampeta está em todo lugar.

Ela explica, por exemplo, como Ricardo Teixeira e o governo federal têm a cara de pau de dizer que a maior parte da verba para a Copa do Mundo de 2014 viria da iniciativa privada.

Explica como um político carioca pode afirmar que proibir cerveja em volta do estádio vai coibir a violência das torcidas.

Explica por que Kassab acha uma boa idéia proibir motocicletas na via expressa da Marginal Tietê para reduzir acidentes.

Finalmente, explica como Geraldo Alckmin pode dizer que vai acabar com a cracolândia em 30 dias.

Acho que a era de Gerson já passou. Levar vantagem em tudo já não é uma idéia, mas um dever cívico, impregnado em nosso DNA.

Já a Lei de Vampeta é bem mais complexa e, até certo ponto, metafísica. O filósofo questiona o próprio conceito de sociedade e relações sociais, estabelecendo um ponto de partida para discutir o teatro do nosso cotidiano.

Agora, quando o encanador que já furou três vezes diz que vem na segunda; quando um camarada que está te devendo grana há anos avisa que vai te pagar amanhã, ou quando o despachante promete “fazer um algo a mais” para resolver o seu caso, console-se: são todos discípulos de Vampeta.

Escrito por André Barcinski às 07h45


2014 World Cup Logo

Quando li a Lei Geral da Copa (LGC) a considerei tão grave que fiz pronunciamento e publiquei as impressões aqui no blog. Até integrantes da base aliada ficaram abismados – e a expressão está correta, porque trata-se de querer empurrar o País para o abismo.

O senador Paulo Paim, autor do Estatuto do Idoso, do qual tive a honra de ser relator, custou a crer na submissão à Fifa para tirar a meia entrada dos maiores de 60 anos. Mas tudo que é dito sobre o assunto acaba se comprovando. Principalmente, quando envolve dinheiro e ingressos.

Para Joseph Blatter, o poderoso-chefão da Fifa, o Brasil é simplesmente um capacho verde de 8 milhões e 500 mil quilômetros quadrados. No afã de agradá-lo, foram feitos no fêmur documentos legais piores que a média já não boa das leis tupiniquins.

Assim saíram o Estatuto do Torcedor, a lei que isenta a Fifa de tributos e o Regime Diferenciado de Contratações, o RDC, uma autorização para roubar nas obras da Copa – como se precisasse. Agora, vem a LGC, derrogando o Código de Defesa do Consumidor e aviltando a Bandeira e o Hino nacionais.

Denunciados pioneiramente aqui, esses absurdos não pararam de passar vergonha no País e culminaram com a presidente Dilma Rousseff se humilhando a ser recebida na Fifa pelo segundo escalão.

Agora, o deputado Romário Faria, um craque também no parlamento, avisou que haveria escândalo com os bilhetes. Acertou no ângulo. O jornalista inglês Andrews Jennings divulgou que Blatter deu a parente (o sobrinho Philippe) e amigos (Enrique e Jaime Byrom) as entradas do Mundial de 2014.

Não algumas, todas. De 450 mil ingressos, os melhores, o sobrinho pode dispor como quiser, são dele, graciosamente. Os outros 2,8 milhões de ingressos o pupilo ganhou para revender.

Após fazermos o alerta, gente do governo e da Fifa se manifestou sobre o calote que estudantes e idosos vão levar durante as partidas. Mas, até hoje, nenhuma medida efetiva foi tomada. Dilma não mandou ao Congresso qualquer texto corrigindo a LGC.

À pilantragem, reagiu-se com espelhinhos: governo e Fifa prometem desconto para índios e inscritos no Bolsa-Família. A vontade é de rir, mas o caso é sério: querem que família pobre torre três meses de benefício para ir a um jogo e que a Funai inclua os bilhetes na cesta básica.

Estados das cidades-sedes também se agacham à Fifa e garantem cobrir “prejuízos” com meia-entrada.

Choramingam a falta de verbas para Saúde e Educação e querem saciar a garganta mais profunda das entidades desportivas.

Enquanto planejam tirar os trocados dos humildes, os organizadores implantam a Bolsa-Milionário. O BNDES repassou para Eike Batista, o Neymar dos ricaços, 66% dos R$ 220 milhões de seu programa de melhorar estabelecimentos para a Copa.

A contrapartida deve ser que Eike reserve no Hotel Glória alguns quartos com diárias subsidiadas para o lumpemproletariado. Não ria. No caso da Copa, as anedotas acabam nomeadas.

Demóstenes Torres é procurador de Justiça e senador (DEM/GO)

Milagre da Copa: Bolsa-Família no Hotel Glória – Ricardo Noblat: O Globo